A Galeria Karla Osorio apresenta a exposição individual de Daisy Xavier, com curadoria de Victor Gorgulho.

A mostra MAGIC AND MURDER apresenta cerca de 20 obras da artista carioca, entre inéditas e históricas. Com trajetória extensa e consolidada desde os anos 80 no cenário da arte contemporânea brasileira, Daisy reforça sua versatilidade poética em obras recentes Segundo o curador, telas da artista:

“Nos colocam defronte a formas que fluem pelo tecido como se percorressem um delicado campo entre a figuração e a abstração – onde aquilo que observamos, à primeira vista, logo ganha outros contornos em uma experiência que dilata a expectação.” –Victor Gorgulho

Esta é a segunda exposição individual de Daisy Xavier (Rio de Janeiro, 1952) em Brasília, que junta obras inéditas com outras históricas, realizadas sobre a superfície da tela, do linho e do papel, apresenta a pesquisa da artista em torno de espécies botânicas com seivas capazes de tanto matar quanto curar. Em uma mesma dose, cura e morte se disfarçam na exuberância destas espécies de distintas e variadas origens. O título MAGIC & MURDER se refere ao livro homônimo que batiza o atual grupo de trabalhos de Xavier, artista que transita com destreza pelo campo da pintura, da escultura, do desenho e mais. Integram também a mostra esculturas em madeira que estabelecem um vívido diálogo com as telas da artista.

Lançando mão de materiais como tinta à óleo, a acrílica, o Ecoline e o nanquim, o presente grupo de obras de Xavier inicia-se em composições densamente ocupadas por flores, vegetais, plantas, partículas, seres naturais, micro-organismos e criaturas-não-humanas que nos conduzem ao universo que Daisy procura instaurar. Suas telas, no entanto, passam por uma espécie de depuração, que vem tanto do olhar da própria artista quanto dos materiais que parecem ceder à superfície em que esses seres são representados.

Por vezes, Xavier utiliza folhas coletadas em viagens como as próprias matérias da pintura em si, inscritas, seladas em suas telas. Em outros trabalhos, as mesmas folhas aparecem como matrizes para a transferência de suas formas em si, demarcando um território visual no perímetro pictórico em que vemos a explosão de cores, formas e linhas – estas últimas capazes de formarem um labirinto infindo de conexões sob as formas vegetais que saltam destes trabalhos.

Leia o texto curatorial de Victor Gorgulho:

MAGIC AND MURDER
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or Victor Gorgulho, setembro de 2026

O primeiro choque entre a mão de uma espécie humana e a espessura rude de uma pedra ocorreu há cerca de 60 mil  anos atrás. Ainda que haja um dissenso se foram os neandertais ou os homo sapiens a tocarem as profundidades de  cavernas – com suas mãos embevecidas de pigmentos naturais, líquidos orgânicos diversos e até mesmo gordura animal -,  foram em sítios como Lascaux, Chauvet e a Serra da Capivara em que se deram os primeiros encontros entre o humano e a  natureza bruta, resultando naquilo que, mais tarde, viemos a chamar de arte. 

O grupo mais recente de pinturas de Daisy Xavier (Rio de Janeiro, 1952), realizadas sobre a superfície da tela, do linho e  do papel, apresenta a pesquisa da artista em torno de espécies botânicas com seivas capazes de tanto matar quanto curar.  Em uma mesma dose, cura e morte se disfarçam na exuberância destas espécies de distintas e variadas origens. O título  MAGIC & MURDER referencia o livro homônimo que batiza o atual grupo de trabalhos de Xavier, artista que transita com  destreza pelo campo da pintura, da escultura, do desenho e mais. Integram também a mostra esculturas em madeira que  estabelecem um vívido diálogo com as telas da artista. 

Lançando mão de materiais como tinta à óleo, a acrílica, o Ecoline e o nanquim, o presente grupo de obras de Xavier  inicia-se em composições densamente ocupadas por flores, vegetais, plantas, partículas, seres naturais, micro-organismos e  criaturas-não-humanas que nos conduzem ao universo que Daisy procura instaurar. Suas telas, no entanto, passam por uma  espécie de depuração, que vem tanto do olhar da própria artista quanto dos materiais que parecem ceder à superfície em  que esses seres são representados. 

Por vezes, Xavier utiliza folhas coletadas em viagens como as próprias matérias da pintura em si, inscritas, seladas em  suas telas. Em outros trabalhos, as mesmas folhas aparecem como matrizes para a transferência de suas formas em si,  demarcando um território visual no perímetro pictórico em que vemos a explosão de cores, formas e linhas – estas últimas  capazes de formarem um labirinto infindo de conexões sob as formas vegetais que saltam destes trabalhos. 

De repente, instaura-se também a escuridão, a trama, o risco e as formas que, mesmo entrelaçadas em insuspeitadas  torções, revelam-se vítimas e algozes da pré e da pós-história. O que veio antes? A cura ou o veneno, a exuberância ou a  escuridão? Xavier não nos dá respostas mas, a seu modo, nos aponta caminhos possíveis: formas que se pretendem  naturais, orgânicas feito troncos, são esculpidas em madeiras provenientes de restos de móveis antigos. 

Nas telas, o linho, enquanto superfície, funciona como uma camada que amálgama e ampara o uso de distintas matérias tintas por parte da artista. Em suas primeiras telas sobre o tecido, a artista nos coloca defronte a formas que fluem pelo  tecido como se percorressem um delicado campo entre a figuração e a abstração – onde aquilo que observamos, à primeira  vista, logo ganha outros contornos em uma experiência que dilata a experiência de observação do espectador. 

Vale dizer que, tanto no uso da cor quanto na eliminação delas, em obras levadas ao p&b, a artista cria uma espécie de  campo magnético no perímetro em que realiza suas obras, de modo que se forma, então, um emaranhado de diferentes  novas espécies (inventadas, inauguradas?), que conectam-se feito vasos comunicantes, fios trôpegos a desafiarem a  gravidade do plano bi ou tridimensional. 

A divagação histórica que funciona como abre-alas deste texto busca apontar para o fato de que, em qualquer um desses  campos artísticos, a mão humana jamais poderá ser substituída – mesmo na contemporaneidade, em que a tecnologia busca  se sobrepor e acachapar as capacidades do corpo humano. Se esta experiência de um mundo artificial é quase nada  parecida com aquilo que chamamos de arte, temos aqui, no corpo da obra de Xavier, o exemplo e a recordação exímias de  que, na natureza, tudo sempre estará interligado – literal e poeticamente – na mais perfeita, ainda que caótica e complexa,  das ordens. 

A artista Daisy Xavier.

Daisy Xavier (Rio de Janeiro, RJ, 1952) – Vive e trabalha no Rio de Janeiro. É formada em psicologia e psicanálise e aborda em sua obra a preocupação com os limites, as identidades e as alteridades do corpo humano, seja pela desconstrução ou pela recriação das formas e conceitos. A artista cria imagens de forte carga poética onde o corpo deixa de ser meramente físico e passa a representar inquietações pessoais, sociais e políticas, seja pela desconstrução ou pela recriação de formas e conceitos estabelecidos. Elementos como a rede e a água são recorrentes nos trabalhos da artista – sejam vídeos, fotos, instalações, pinturas ou desenhos. Os elementos não deixam definir o que se encontra dentro ou fora, criando campos intercambiáveis, de constante mutação. Em 2010 foi indicada para ao Prêmio Pipa e desde os anos 80 participa de exposições individuais e coletivas, tanto no Brasil quanto no exterior.


Serviço: Exposição “MAGIC AND MURDER”, exposição individual de Daisy Xavier, abertura sábado, 12 de setembro, na Galeria Karla Osorio (SMDB Conjunto 31 Lote 1B – Lago Sul / Brasília – DF) – Galerias 1, 2, 4 e 5  Pavilhões I e II. Em cartaz até 31 outubro 2026. Visitação: segunda a sexta, 9h – 18h, sábados 9h – 14h. A entrada é gratuita. Recomenda-se agendar por telefone, e-mail, DM no Instagram ou WhatsApp. Site: www.karlaosorio.com

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Publicado por:Philos

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